Quando te senti, não era nada, de começo. Porém, aquilo cresceu como um monstro maior que minha própria sombra. Da boca só saía silêncio, mas queria que saísse um desabafo. Coragem não havia, demorei para criá-la. Falei e fui tachado de mentiroso. Depois disso, perdi mais ainda. Outro longo ano calado, me culpando e pensando que eu estava errado. Não acho que se esqueceu, estava fora e dentro de si, um estado de superposição. Parece que nunca ficará são. Ninguém acreditou. Afinal, você é perfeito. Tanto que parece que estou inventando, distorcendo a realidade. Quando, na verdade, foi você que me distorceu por completo. Me deixou em pedaços, aqueles que nunca consegui colar. - Autoria: Lírio
Mesmo cercado, me vejo só. Nada parecia ter sentido. Eu me senti um grande egoísta. Só acabaria com a minha dor, e os outros? Não pude me desesperar, mesmo em meio a todo caos que fora a situação, mesmo sem motivo e razão, não pude soltar, nem desprender. Felicidade ou verdade? Viver na inocência era confortante. Situações em que preferia ficar como tolo, feridas que nunca irão tornar-se cicatriz, um passado que nunca se apagara. Era tudo confuso e nublado. Vivia no passado e ignorava o presente. Feito uma nuvem cinza, um mar turbulento, uma zona sem fim! Impossível de se encontrar. O relógio naquele tempo estava quebrado. Nunca pude dizer, engoli tudo calado. O tempo havia parado, não passava, era infinito. Ser solitário ao lado de tanta gente, como consigo? É porque vejo, mas não sinto. Diante delas, estou ausente. Nem enxergá-las posso. Será que vai encaixar? Não fui feito para ser encaixado. Mas não queria ficar assim eternamente, isolado até do meu próprio eu. Por que é tão d...
Qualquer ser humano ficaria assim. Por que apenas eu sou o pobre coitado? Talvez a vida não seja ruim, apenas eu que a veja errado. Reflito o motivo por ver, se pelo que vivi conheço o bastante. Contudo, nunca presenciei um sequer amanhecer, encarei apenas o escuro gritante. Não é como se fosse impossível, já estou acostumado. Não vejo, é invisível, e quando vem, estou despreparado. Nem eu sei o que sinto, quem dirá o que penso. O sentimento nunca foi extinto e a cada dia fica mais intenso. Será que pouparia a dor? Apagar a mente e nunca mais ascender, tirar da garganta o grito ensurdecedor, ou apenas me desprender? Desse passado que faz parte do presente, que me consome a cada instante. Acho que pedirei para uma estrela cadente e esperarei o tempo restante. Da vida e do agora, até quem sabe me libertar. Você me vê, mas já fui embora. Apenas não venha mais me procurar. - Autoria: Lírio
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