Relógio quebrado
Mesmo cercado, me vejo só.
Nada parecia ter sentido.
Eu me senti um grande egoísta.
Só acabaria com a minha dor, e os outros?
Não pude me desesperar,
mesmo em meio a todo caos que fora a situação,
mesmo sem motivo e razão,
não pude soltar, nem desprender.
Felicidade ou verdade?
Viver na inocência era confortante.
Situações em que preferia ficar como tolo,
feridas que nunca irão tornar-se cicatriz,
um passado que nunca se apagara.
Era tudo confuso e nublado.
Vivia no passado e ignorava o presente.
Feito uma nuvem cinza, um mar turbulento,
uma zona sem fim! Impossível de se encontrar.
O relógio naquele tempo estava quebrado.
Nunca pude dizer, engoli tudo calado.
O tempo havia parado,
não passava, era infinito.
Ser solitário ao lado de tanta gente,
como consigo?
É porque vejo, mas não sinto.
Diante delas, estou ausente.
Nem enxergá-las posso.
Será que vai encaixar?
Não fui feito para ser encaixado.
Mas não queria ficar assim eternamente,
isolado até do meu próprio eu.
Por que é tão doído?
Por que é tão injusto?
Se já estou doido o suficiente.
Eu era apenas um garoto inocente.
Mesmo sentindo tão fortemente,
não o vejo por completo.
Ainda olho para o passado,
vejo apenas um borrão.
Meus olhos foram cegados pela ilusão.
- Autoria: Lírio
Comentários
Postar um comentário