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Mar

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Eu me pergunto se todo meu caos traz felicidade, se vale a pena mergulhar nesse meu mar violento. Sei que nadou em vários mares, mas não quero que você morra aqui para que eu possa respirar. Não quero ser ingrato pelo amor e abraços, mas me vejo como alguém que te parte em ainda mais pedaços. No fim, conheço bem meu mar. Sei que está exausto de mergulhar até em mares mais turbulentos que o meu. Você também tem o seu, deve ser imenso, a ponto de dar medo até em você, que aprendeu a nadar tão cedo. - Autoria: Lírio

Venha até mim

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Ficarei aqui, esperando. Até o dia amanhecer. Até meus pés começarem a doer. Até algum sinal vir enfim, ou até minha dor chegar ao fim. - Autoria: Lírio

Querer insaciável

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Inicialmente, estava cego para a verdade. A desgraça que corrói é a mesma que salva, ela é o que me falta, é tudo o que sempre desejei. Era mútuo, mas sem consciência. Você precisa sentir algo além de tristeza, e eu preciso de atenção. Agora, está longe, mas não muito afastado. Ficou impregnado em minha mente e até daí, me persegue. Era notório, visível em seu semblante. Senso você nunca teve, já eu, não tive tempo de criá-lo. Eu sou invisível e involuntário, você se exibe e faz por querer, o que me faz ter nojo de você. Seu mau é entranhado na alma. Ainda age como se fosse um santo bondoso e piedoso. Você omite a realidade. Age mais como um desalmado cruel e defeituoso. Quando fecho meus olhos, ainda vejo seu rosto. Você é o parasita que rasteja em minha pele. Pensa que minha mente é falha, queria tanto que fosse. Assim, esqueceria essa memória que me estraçalha. - Autoria: Lírio

Contrariedade

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A cor era ardente, impossível passar despercebido. Estava ali, totalmente exposto, desprotegido e vulnerável. Não deixa transparecer, ainda que transparente. É único, intocável e conflituoso. Complexo como um paradoxo. Quer ser visto e se esconde. Almeja a paz e repele o que faz bem. Espera por companhia e fica sempre sem ninguém. - Autoria: Lírio

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Meu vazio é somente meu. Nunca será igualado e nunca terá fim. Dentro de mim, estou confinado e invisível, ninguém pode me ver. Aqui estou, sozinho, no escuro. Porém, as notas belas iluminam como velas. É familiar e aconchegante, mas cresceu tanto de repente que até eu, que já te conheço, me perco. Maior do que sou capaz de imaginar. Desde quando é desconhecido? Desde quando estou tão perdido? - Autoria: Lírio

Razão

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Desejo sentir minha dor. Eu gosto dela e vivo nela, tenho todo o direito de fazê-la. Sou livre como qualquer outro. Somente eu irei senti-la. Sendo assim, deixe-me ir, não vou lhe machucar, desde que o segredo se mantenha. Se destruir, não tem importância. Afetará a mim, mais ninguém, e prevalecerá só o silêncio. Sempre fui assim, por que não posso ser? Sei que não vou mudar. Escorreu tudo o que há de escorrer, agora é só esperar secar. - Autoria: Lírio

Falácias

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Não sei nem o que é que me permite ficar de pé. Se dói apenas em mim ou machuca todos no fim. Quer dar pitaco, já que não é com você. Sempre me julga, mas não sabe o porquê. Estou perdendo o juízo, o que nunca tive. Para que fazer essa cena, se ninguém vive? Uma vida esculpida fora tão linda. Já agora, estava morto. Então, arrastei seu corpo. Lá, o sangue jorrava e minha alma toda manchava. Não havia saída por nenhum caminho, porém caminhei, ainda que sozinho. Ouvia silêncio, interpretava um ruído. Naquele tempo, estava destruído. - Autoria: Lírio

Gênesis

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A inocência desse olhar encanta. Uma beleza pura, tanto que era quase nua. Corria em um caminho eterno, ainda existia esperança, mas não pôde fugir de seu próprio inferno. Outra vez, olhando aquele rosto manchado pela ruindade, contrário ao que foi proposto. Um olhar digno de piedade, porém, para ele, ninguém olhou, muito menos se importou. - Autoria: Lírio

Disparidade

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Você é muito, não sou nada. Cada palavra é um pisoteio, sufoca o que sinto. Quando se faz presente, meu direito é retirado, como se eu fosse um objeto a ser usado. Parece que você não enxerga, não posso ser ouvido, nem tentar consigo. Não me permite, não escutará, como se minha voz fosse inaudível. Você me vê como um ser inumano. Sempre pronto para atacar. Pensa em como será afetado, mas nunca pensou em como me afetou. Você pode querer só tapar um buraco, porém não vou preencher teu vazio, aquele que nem por mim foi criado. Parou de viver na vida de fato, criou alguém inexistente no imaginário e se esqueceu de que não sou assim. Com tantas tentativas deveria ter aprendido, cada vez mais me complico. Sem a disparidade, melhor fico. - Autoria: Lírio

Embaraço da vitalidade

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O que cai liberta a dor, porém molha e arde o ser. Rápido seca, nesse dia ensolarado. Até consertar tentou, mas a fonte não se esgotará. Quando é falado, é simples. No entanto, o verdadeiro não é visto, se tornou uma ilusão. Alimentou ódio pelas palavras. A invisibilidade tirou dele a razão. - Autoria: Lírio

Azul

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Te encaro por horas. Você é tão forte e intenso, maior do que o infinito. Realmente é muito extenso. Você não é nada e, simplesmente, tão bonito. Fica difícil enxergar, meus olhos começam a lacrimejar. Em ti, de vez em quando me encontro. Quando espaireço o bastante, me sinto pronto. Palavras estúpidas falo assim, saem daqui, bem de dentro. É como se você quisesse fazer parte de mim. Tenho sorte de ver e sentir, leve e macio, como algodão doce. Sem você não vivo, devo admitir, me viciei como se droga fosse. O imaginário está além dessa pequena poeira, esta que é onde nascemos. Talvez os pensamentos sejam só bobeira, mas é deles que vivemos. - Autoria: Lírio

Espiral

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Uma rua sem saída, um lugar qualquer sem telhado, é como levo essa minha vida. Caminho e sempre chego ao ponto de partida. Para que fazer rimas sem sentido? Seria melhor se tudo caísse de vez. Se bem que servem para dizer o que está contido, prefiro isso a morrer de estupidez. Para que serve tanto sofrimento? Se parece que, com tão pouco tempo, já conheço o que está por fora e por dentro. Freneticamente levo tudo. Ao parar, o corpo treme, instável, como se não vivesse há um dia nesse mundo. Pensar dessa forma é inevitável. - Autoria: Lírio

Pequeno questionador

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Naquele tempo, havia revirado. Sempre soube que algo estava errado. Deveria agir para me amar, mas agiu como se fosse um fardo. Tudo estava ao contrário do que de fato deveria ser. Ódio para matar, tristeza para morrer. Até eu fiquei invertido, a cabeça pendurada. Por tanto tempo que se desprendeu, meu ser por completo se perdeu. Naquele olhar existia medo, apenas. Paralisado e sem reação, as cicatrizes serão eternas. É como uma onda, vai e vem. Parece diferente, mesmo sendo conhecido. Lágrimas só caem quando convém. De longe, talvez faça menos mal, sem o “fardo”, é menos pesado. Depois de partir, tudo voltou ao normal. - Autoria: Lírio

Desatino

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Quando te senti, não era nada, de começo. Porém, aquilo cresceu como um monstro maior que minha própria sombra. Da boca só saía silêncio, mas queria que saísse um desabafo. Coragem não havia, demorei para criá-la. Falei e fui tachado de mentiroso. Depois disso, perdi mais ainda. Outro longo ano calado, me culpando e pensando que eu estava errado. Não acho que se esqueceu, estava fora e dentro de si, um estado de superposição. Parece que nunca ficará são. Ninguém acreditou. Afinal, você é perfeito. Tanto que parece que estou inventando, distorcendo a realidade. Quando, na verdade, foi você que me distorceu por completo. Me deixou em pedaços, aqueles que nunca consegui colar. - Autoria: Lírio